Jornada Universitária

Psicologia • Livro 02

Em busca de sentido

Explore sofrimento, liberdade, responsabilidade e propósito a partir da obra de Viktor Frankl.

VÍDEO • EM BUSCA DE SENTIDO

Vídeo 02

Conteúdo sobre Em busca de sentido

O player está pronto para receber o vídeo em que você apresentará a obra de Viktor Frankl e suas principais contribuições para a formação em Psicologia.

Leitura guiada

Em busca de sentido: o que mantém uma pessoa de pé quando tudo parece perdido?

O que acontece com a mente humana quando quase tudo aquilo que sustentava a vida desaparece?

Quando uma pessoa perde sua segurança, sua liberdade, seus projetos, sua posição social e o contato com aqueles que ama, ainda existe algo dentro dela que não pode ser completamente retirado?

Essa é a questão central de Em busca de sentido, uma das obras mais importantes para quem deseja compreender o sofrimento humano, a esperança, a responsabilidade e a capacidade de encontrar razões para continuar vivendo.

Escrito pelo neurologista e psiquiatra austríaco Viktor Frankl, o livro combina o relato de suas experiências como prisioneiro em campos de concentração nazistas com uma introdução à Logoterapia, abordagem psicoterapêutica desenvolvida pelo próprio autor. A obra foi publicada originalmente em 1946 e apresenta, em sua primeira parte, a experiência nos campos e, posteriormente, os fundamentos de sua teoria sobre o sentido da vida.

Por que um estudante de Psicologia deveria ler este livro?

A Psicologia não estuda apenas transtornos, diagnósticos ou sintomas. Ela também procura compreender como as pessoas enfrentam perdas, constroem identidade, atribuem significado às próprias experiências e encontram forças para continuar vivendo mesmo em condições adversas.

Em busca de sentido apresenta uma visão de ser humano que não pode ser reduzido ao seu sofrimento.

Uma pessoa pode estar deprimida, ansiosa, traumatizada, frustrada ou desorientada. Entretanto, por trás dos sintomas, continua existindo alguém com uma história, valores, vínculos, responsabilidades e possibilidades.

Essa diferença será fundamental para a formação do futuro psicólogo. O profissional não deve enxergar apenas “um caso de depressão” ou “um paciente com ansiedade”. Ele precisa reconhecer uma pessoa que está tentando responder a uma questão mais profunda:

Como continuar vivendo quando a vida que eu imaginava deixou de existir?

O ser humano não vive apenas de prazer

Algumas teorias psicológicas enfatizaram a busca pelo prazer, a satisfação dos desejos ou a necessidade de poder e reconhecimento. Frankl propôs outra perspectiva.

Para ele, uma das principais forças motivadoras do ser humano é a vontade de encontrar sentido. A Logoterapia, palavra derivada do termo grego logos, concentra-se justamente na busca por significado e propósito na existência.

Isso não significa que todas as pessoas precisam descobrir uma missão extraordinária. O sentido pode estar em uma profissão, em uma relação, no cuidado com alguém, na criação de um projeto, na superação de uma responsabilidade ou na maneira como uma pessoa decide enfrentar determinada situação.

Um estudante pode imaginar que o sentido de sua vida será encontrado somente quando receber o diploma. Frankl nos levaria a uma reflexão diferente:

Qual é o sentido daquilo que você está fazendo hoje?

Talvez esteja na disciplina necessária para estudar, no conhecimento que será utilizado para ajudar outras pessoas, no apoio oferecido a um colega ou no esforço para transformar uma realidade familiar.

O sentido não existe apenas no destino final. Ele também pode estar na forma como atravessamos o caminho.

O sentido como uma bússola

Imagine uma pessoa perdida em uma floresta. Ter força física pode ajudá-la a caminhar. Ter alimentos pode mantê-la viva por algum tempo. Possuir bons equipamentos também pode aumentar suas possibilidades.

Mas, se ela não souber em qual direção seguir, poderá gastar toda a sua energia andando em círculos.

O sentido funciona como uma bússola psicológica.

Ele não elimina os obstáculos, não encurta automaticamente o caminho e não impede o cansaço. Entretanto, oferece uma direção para o esforço.

Muitas pessoas não abandonam um projeto porque são incapazes. Elas abandonam porque perderam a ligação entre aquilo que fazem e aquilo que consideram importante.

Um aluno pode suportar noites de estudo, dificuldades financeiras e disciplinas complexas quando entende por que escolheu aquela formação. Porém, quando a faculdade se transforma apenas em obrigação, comparação ou cobrança familiar, o esforço começa a parecer vazio.

A ausência de direção pode fazer até uma vida aparentemente confortável parecer insuportável.

A liberdade que permanece

Um dos fundamentos da Logoterapia é a ideia de que o ser humano possui liberdade de vontade. Isso não significa que podemos controlar tudo o que nos acontece. Existem doenças, perdas, injustiças, limitações econômicas, acidentes e circunstâncias que não foram escolhidas.

A liberdade mencionada por Frankl está relacionada à possibilidade de assumir uma posição diante daquilo que acontece. Nem sempre escolhemos a situação. Mas, dentro de certos limites, ainda podemos escolher como responder, quais valores preservar e quem desejamos nos tornar diante dela.

O Viktor Frankl Institute apresenta a liberdade de escolha, a vontade de sentido e a existência de sentido como fundamentos centrais da Logoterapia.

Considere dois estudantes que recebem uma nota baixa. O primeiro interpreta o resultado como prova de que não possui inteligência suficiente e abandona os estudos.

O segundo sente frustração, mas utiliza a experiência para identificar falhas em sua preparação e reorganizar sua estratégia.

O acontecimento inicial foi semelhante. A interpretação e a resposta foram diferentes.

Essa reflexão se aproxima de temas que o estudante encontrará posteriormente na Psicologia Cognitiva e na Terapia Cognitivo-Comportamental: entre o acontecimento e o comportamento existem interpretações, crenças, emoções e possibilidades de resposta.

Encontrar sentido não significa romantizar o sofrimento

Este é um dos pontos mais importantes para compreender corretamente a obra. Frankl não afirma que o sofrimento seja necessário, desejável ou automaticamente transformador. Quando uma situação pode ser modificada, o indivíduo deve agir para modificá-la.

Uma pessoa em um relacionamento abusivo não precisa encontrar sentido permanecendo nele. Um trabalhador explorado não deve aceitar a injustiça como uma oportunidade de crescimento. Alguém com um transtorno mental não deve substituir tratamento por frases motivacionais.

A busca de sentido não pode ser utilizada para responsabilizar a vítima, minimizar a dor ou justificar condições desumanas.

A reflexão de Frankl se torna especialmente relevante diante do sofrimento inevitável: perdas irreversíveis, limitações permanentes, doenças graves ou acontecimentos que não podem mais ser alterados.

Nesses casos, encontrar sentido não significa considerar o sofrimento bom. Significa impedir que ele seja a única definição possível da existência.

“Por que isso aconteceu comigo?”

“Diante do que aconteceu, qual resposta ainda posso oferecer à vida?”

Três caminhos para encontrar sentido

Frankl descreve três grandes caminhos pelos quais uma pessoa pode se conectar com o sentido: aquilo que realiza, aquilo que experimenta e a atitude que assume diante de situações que não pode modificar. Esses caminhos são denominados criativo, experiencial e atitudinal.

1. Por meio daquilo que fazemos

O sentido pode ser encontrado no trabalho, na criação, em uma contribuição ou em um projeto. Para o estudante, isso pode aparecer na produção de uma pesquisa, na participação em um projeto social, na construção de uma carreira ou no desenvolvimento de algo que beneficie outras pessoas.

Não é necessário mudar o mundo inteiro. Às vezes, o sentido está em melhorar uma pequena parte dele.

2. Por meio daquilo que vivenciamos

O sentido também pode surgir nos encontros, no amor, na amizade, na arte, na natureza e na experiência genuína com outra pessoa. Nesse ponto, o outro deixa de ser apenas alguém que satisfaz nossas necessidades. Ele passa a ser reconhecido em sua singularidade.

Para a Psicologia, essa compreensão é essencial. A relação terapêutica não é apenas a aplicação de uma técnica. Ela também envolve presença, escuta, vínculo e reconhecimento da humanidade do paciente.

3. Por meio da atitude diante do inevitável

Quando uma situação não pode mais ser alterada, a pessoa ainda pode trabalhar sobre a maneira como irá enfrentá-la. Isso não significa controlar todas as emoções. Uma pessoa pode sofrer, chorar, sentir medo e, ainda assim, escolher preservar determinados valores.

Coragem não é ausência de sofrimento. É a decisão de não permitir que o sofrimento determine sozinho aquilo que a pessoa será.

A diferença entre explicar e compreender

A ciência psicológica procura explicar comportamentos por meio de fatores biológicos, cognitivos, emocionais, sociais e ambientais. Frankl acrescenta uma pergunta:

Para que essa pessoa continua vivendo?

Duas pessoas podem apresentar sintomas semelhantes, mas atribuir significados completamente diferentes à própria existência.

Uma pode suportar um tratamento difícil porque deseja acompanhar o crescimento dos filhos. Outra pode permanecer em uma graduação porque acredita que sua futura profissão contribuirá para sua comunidade. Outra pode encontrar forças para reconstruir a vida por desejar honrar a memória de alguém que perdeu.

O sentido é particular. Por isso, o psicólogo não deve impor ao paciente aquilo que considera uma vida significativa. Seu papel é ajudá-lo a investigar valores, responsabilidades, possibilidades e caminhos que façam sentido dentro de sua própria existência.

A vida não pergunta apenas o que queremos dela

“O que a vida pode me oferecer?”

“Quando serei reconhecido?”

“Quando encontrarei felicidade?”

“Quando tudo começará a dar certo?”

A perspectiva de Frankl altera a direção da pergunta. Em vez de somente questionar o que esperamos da vida, podemos refletir sobre aquilo que a vida espera de nós diante da situação atual.

Para um estudante, a resposta pode estar em concluir uma disciplina difícil, cuidar da própria saúde, cumprir uma responsabilidade, preparar-se melhor ou não desistir de um projeto importante.

A vida não apresenta a mesma pergunta para todas as pessoas. E também não apresenta a mesma pergunta durante toda a existência. O sentido pode mudar conforme as circunstâncias, os vínculos e as responsabilidades se transformam.

Aplicação na vida universitária

Durante a faculdade, é comum o aluno enfrentar ansiedade, comparação, insegurança, cansaço e dúvidas sobre a própria capacidade.

“Será que escolhi o curso certo?”

“Será que tenho capacidade para me tornar psicólogo?”

“Por que estou fazendo tanto esforço?”

Em busca de sentido não oferece respostas prontas para essas perguntas. A obra convida o estudante a assumir responsabilidade por respondê-las.

Em vez de estudar apenas para obter uma nota, ele pode conectar o conteúdo ao profissional que pretende se tornar. Em vez de enxergar uma disciplina difícil como um obstáculo inútil, pode perguntar o que aquela experiência está desenvolvendo em sua formação. Em vez de comparar constantemente sua trajetória com a dos colegas, pode identificar quais valores orientam o seu próprio caminho.

O estudante que sabe por que está estudando lida de maneira diferente com aquilo que precisa estudar.

O olhar clínico desenvolvido pela obra

A leitura também ajuda o futuro psicólogo a construir uma postura clínica mais humana.

Quando uma pessoa procura atendimento, geralmente traz uma história que foi interrompida, ameaçada ou desorganizada. Pode ter perdido alguém, não reconhecer mais a própria identidade, ter alcançado sucesso profissional e ainda sentir um vazio persistente ou não encontrar razões para continuar atividades que antes pareciam importantes.

O psicólogo precisa escutar não apenas o sintoma, mas também aquilo que perdeu o sentido.

  1. O que ainda importa para essa pessoa?
  2. Quais valores continuam presentes?
  3. Que responsabilidades ela reconhece?
  4. Que relações oferecem significado?
  5. Que possibilidades ainda não foram percebidas?
  6. Como ela deseja responder à situação que está vivendo?

Essas perguntas não substituem avaliação psicológica, diagnóstico ou tratamento. Elas ampliam a compreensão da pessoa para além do problema apresentado.

O que observar durante a leitura

Ao ler Em busca de sentido, procure refletir:

  1. O que me mantém em movimento nos períodos difíceis?
  2. Minha escolha profissional está ligada a um propósito ou apenas à busca por reconhecimento?
  3. Quais valores eu desejo preservar mesmo diante de dificuldades?
  4. Como reajo quando não posso controlar uma situação?
  5. Estou vivendo de acordo com aquilo que considero importante?
  6. Que responsabilidade a vida está me apresentando neste momento?
  7. De que maneira um psicólogo pode ajudar alguém a encontrar suas próprias respostas sem impor um sentido pronto?

Essas questões transformam a leitura em um exercício de autoconhecimento e formação profissional.

Uma obra necessária, mas que exige cuidado

Em busca de sentido não deve ser interpretado como um manual de pensamento positivo. A obra não defende que basta mudar a mentalidade para superar qualquer problema.

Condições sociais, traumas, transtornos mentais e limitações materiais são reais e podem exigir acompanhamento psicológico, médico, familiar e social.

O valor do livro está em mostrar que o ser humano não precisa ser compreendido somente como produto das circunstâncias. Mesmo condicionado pela história, pelo ambiente e pelo próprio organismo, ele também possui valores, responsabilidades e possibilidades de posicionamento.

Essa visão não elimina a vulnerabilidade humana. Ela reconhece que vulnerabilidade e liberdade podem coexistir.

O que este livro pode acrescentar à sua formação

Ao terminar Em busca de sentido, você poderá compreender que atuar em Psicologia não significa apenas eliminar sintomas. Em muitos casos, significa ajudar alguém a reconstruir uma direção.

O futuro psicólogo encontrará pessoas que não sabem mais quem são, que perderam vínculos, que foram derrotadas por expectativas ou que deixaram de enxergar possibilidades no futuro.

Nem sempre será possível modificar imediatamente as circunstâncias externas. Mas será possível escutar, acolher, questionar, ampliar perspectivas e ajudar a pessoa a reencontrar valores pelos quais ainda valha a pena se movimentar.

Para compreender verdadeiramente uma pessoa, precisamos conhecer não apenas aquilo que a faz sofrer, mas também aquilo que pode dar sentido à sua existência.

Indicado para

Estudantes que pretendem iniciar a graduação em Psicologia, alunos dos primeiros semestres, profissionais interessados em abordagens existenciais e leitores que desejam compreender temas como sofrimento, resiliência, liberdade, responsabilidade e propósito.

Áreas da Psicologia relacionadas

Psicologia Existencial, Logoterapia, Psicologia Humanista, Psicologia Clínica, Psicologia da Saúde, Psicologia Hospitalar, Cuidados Paliativos, estudos sobre luto, trauma, resiliência e comportamento humano.

Referência

FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Petrópolis: Vozes, [ano da edição consultada].

A edição brasileira é publicada pela Editora Vozes e apresenta tanto a experiência de Frankl nos campos de concentração quanto os conceitos fundamentais da Logoterapia.

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